Architecture for the poor

Construindo com o povo

Hassan Fathy
Editora Forense, Rio de Janeiro
2a edição brasileira, 1982

Hassan Fathy, arquiteto egípcio nascido em 1900, como era natural nos anos 20, foi influenciado no início de sua carreira pela arquitetura moderna ocidental, na época um prestigiado movimento de vanguarda. Logo depois, como mostram suas aquarelas dos anos 30, ele passa a se interessar pelas construções de terra tradicionais da Núbia, região de onde era originário.
Seu empenho culminou com a construção de uma vila residencial, edificada à partir de 1946 na localidade de Nova Gourna, perto de Luxor, no caminho da estrada que leva ao Vale dos Reis.
A solução apresentada por Fathy às autoridades egípcias estava fora do escopo dos editais que concebiam as futuras moradias como um produto típico da indústria de construção, feito de concreto, aço, ou outra tecnologia contemporânea. Ao invés de adotar erroneamente estilos europeus, Fathy optou por uma solução da arquitetura vernacular incorporando elementos da cultura árabe, como a torre de vento, o domo e o muxarabi. O elemento estrutural era o tijolo de adobe, concebendo um estilo distinto de construção, social e ambientalmente consciente e ainda por cima, usando como mão de obra os próprios beneficiários do projeto.
Esta técnica tinha a dupla vantagem do baixo custo e de estar ao alcance da mão de obra não qualificada.
A vila estava destinada pelo governo egípcio a abrigar 7.000 pessoas a serem remanejadas das proximidades de um antigo cemitério da época dos faraós, de onde tiravam seu sustento. Era formada por 4 bairros em torno de equipamentos urbanos coletivos, cada um organizado ao redor de uma praça retangular cruzada por estreitas ruelas margeadas por edifícios de dois pavimentos, todos diferentes. Era dividida por uma grande via estrutural.
Fathy queria provar que além de poder construir casas baratas e eficientes, poderia também resolver um problema social, instituindo o mutirão como forma de obter auto suficiência nos programas residenciais populares.
Mas infelizmente a industrialização já tinha imposto seu pedágio aos paises em desenvolvimento, o que significava que, no inconsciente coletivo, as boas idéias eram as importadas do ocidente. No seu entusiasmo ele subestimou as forças do capital e o valor da tradição e orgulho nacional com as antigas técnicas construtivas, seus trunfos principais, se mostraram impotentes contra os obstáculos que se apresentaram. Hostilidade da burocracia egípcia e o obscurantismo dos futuros ocupantes, que reagiam à transferência de suas casas do local anterior perto dos túmulos, impediram a conclusão do projeto.
Neste Construindo com o povo, uma espécie de diário, ele descreve a experiência de tentar colocar suas idéias em prática em Gourna e faz sua defesa contra as calúnias disseminadas pelos seus detratores, aqueles comprometidos com uma ocidentalização impraticável da arquitetura no Egito. Nem precisava... Trata-se de um livro precioso e de leitura indispensável, ainda mais agora que a idéia de uma arquitetura sustentável se impõe a cada dia.




Para ver
fotos de Gourna

em ARCH NET
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Domo em Gourna
Fachada com domo e entradas de ar
Palco do teatro em Gournar


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