O
diário de um arquiteto excêntrico
Philip Johnson, morto no início de 2005 aos 98 anos,
foi um arquiteto conhecido por seus projetos pouco convencionais. Na
sua formação foi influenciado pelo neoclassicismo e pelo
modernismo.
A Glass House de 1949, foi desenvolvida para si próprio
como tese de mestrado quando foi aluno do célebre Marcel Breuer
em Harvard. É um das mais bonitos exemplos do modernismo americano,
ainda que nada funcional. O próprio arquiteto se referia a ela
como ‘o diário de um arquiteto excêntrico’.
Passava longe da cabeça de Johnson qualquer preocupação
com a sustentabilidade na arquitetura.
Johnson, originalmente um escritor, tornou-se o primeiro diretor do
Departamento de Arquitetura do MoMa em 1932, onde cunhou
o termo ‘Estilo Internacional’ e foi responsável
pela divulgação nos Estados Unidos da obra de arquitetos
modernistas europeus, como Mies van der Rohe e Le
Corbusier.
Seu projeto foi inspirado no da Casa
Farnsworth de Mies, embora esta só tenha sido concluída
em 1952.
...estou
dentro de casa ou continuo no jardim?
Suas
paredes externas são de vidro, a cozinha é aberta e não
há divisórias internas. As instalações sanitárias
ficam dentro de um cilindro de tijolos, onde fica incrustada a lareira.
Suas fachadas são compostas simetricamente o que acentua o conflito
com o interior assimétrico perfeitamente visível através
dos painéis de vidro. Modernista relutante, Frank Lloyd
Wright, ao visitar a casa teria dito, com uma certa dose de
sarcasmo: ’Aqui estou eu Philip. Já estou dentro de
casa ou continuo no jardim? Devo tirar meu chapéu ou mantê-lo
na cabeça?’
Ao longo de sua vida Johnson fez da casa laboratório para uma
série de seguidos experimentos em forma, materiais e
idéias, construindo acréscimos de vários
anexos, como a casa de hóspedes toda de tijolos, o Pavilhão
do Lago, Galeria de Pinturas, a Galeria de Esculturas, a Casa Fantasma,
e outras instalações.
Em 1986 foi doada para o National Trust que agora,
após a morte do autor, planeja permitir sua visitação,
embora ainda não haja data programada para abrir ao público
a propriedade de 40 acres.
Saiba mais sobre a Glass House em New Caanan, Connecticut no site Great
Buildings onde pode-se fazer download de modelo em 3D
da casa.
O fotógrafo Michael Moran documentou o resultado
dos experimentos de Johnson para uma edição especial de
livro com tiragem de apenas 2000 cópias. Algumas
destas extraordinárias fotos estão disponíveis
na Internet.